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O MUNDO ESTÁ CONFUSO
O que mais me assusta na internet é a quantidade de ilusões que recebemos diariamente.
Você vê um amigo passando numa faculdade difícil enquanto você luta pra estudar.
Você vê um primo viajando para as Maldivas enquanto mora numa casa simples.
Você vê nutricionistas dizendo para comer a cada 3 horas e outros dizendo para jejuar.
Você vê pessoas dizendo que você precisa ficar rico cedo para ajudar a família — e outras dizendo que riqueza rápida é ilusão.
O resultado é sempre o mesmo:
comparação, desinformação e confusão.
Apesar de termos acesso ao mundo inteiro…
ninguém sabe mais o que fazer com a própria vida.
A SABEDORIA SILENCIOSA DO MEU AVÔ
Lembro de um domingo ensolarado em 2021, meu pai contando para mim e meus irmãos uma história do meu avô.
Era interior do Sul. Estrada de chão. Ele acordava às 4:30 para pegar lenha para o pai.
Meu avô levantava com os galos, 5:30 da manhã. A única “informação” que recebia era a previsão do tempo, o resultado do Internacional e alguma fofoca da cidade.
Quando acordava, ele saía na sacada: chimarrão na mão, sorriso no rosto, cigarro na boca, um 38 na cintura.
A TV ficava desligada. E ele repetia sempre a mesma coisa:
“Tudo que passam aqui é pra deixar a gente nervoso e com medo. Mas quando desligo e vou cuidar da vida, o mundo está em paz.”
Ele dizia também:
“Tu liga a TV e parece que o mundo está acabando. Mas tu olha pela janela… só tem campo, passarinho cantando e porcos roncando.”
Meu avô morreu com noventa e poucos anos. Fumava Marlboro. Bebia cachaça. Mas talvez tenha sido justamente isso que o manteve vivo: a cabeça calma, as manhãs lentas, a casa pra cuidar, o gado, a rotina simples, a esposa tranquila que estava sempre com ele.
Ele não vivia no ruído.
Ele vivia presente.
O VALOR DE CORTAR O EXCESSO
Depois de dois anos criando na internet — estudando, crescendo, viajando, tocando empresa — aprendi algo simples:
viver bem é cortar.
Cortar pessoas.
Cortar convites.
Cortar livros supérfluos.
Cortar filmes idiotas.
Cortar distrações.
Cortar obrigações vazias.
Cortar expectativa dos outros.
A vida melhora quando você remove ruído.
Não quando adiciona mais coisas.
O foco não é seguir 1000 coaches.
O foco é descobrir o que conversa com tua essência.
E pra isso, você precisa aprender a detectar uma coisa:
Qual caminho está seguindo?
O que você está consumindo é alinhado com sua essência?
O ego ama estar “informado”:
a notícia do momento, o resultado do jogo, a fofoca da blogueirinha, o que seus amigos estão fazendo.
Mas a verdade é simples:
quanto mais você consome, menos você cria.
Meu avô sempre dizia:
“É, meu filho… em vez de ficar assistindo os outros jogarem bola, vá pro campo tocar na bola.”
É isso.
A vida muda quando você sai da arquibancada e entra no jogo.

O ÔNIBUS DE HELSINQUE (E A VERDADE SOBRE FOCO)
Minkkinen nasceu em Helsinque. No centro da cidade havia uma estação rodoviária gigantesca. Ele descreveu assim:
Duas dúzias de plataformas lado a lado. Em cada uma, uma placa com números: 21, 71, 58, 33, 19. Todos os ônibus pegam a mesma avenida quando saem da cidade. Por um ou dois quilômetros, percorrem exatamente os mesmos pontos. Só depois cada um vira para um destino diferente.
Agora imagine que cada ponto é um ano da sua vida criativa.
Três anos criando vídeos sobre hábitos, filosofia e produtividade. Você está no ônibus 21.
Você leva seu trabalho para um festival, para uma agência, para a internet. E alguém comenta: já viu o trabalho do Murilo Gun? Ou do Pondé? Ou do Dan Koe? Parece com eles. Parece copia demais. Parece repetido.
E dói.
Porque você percebe que aquilo que você fez por três anos… outras pessoas já fazem há dez.
Então você desce do ônibus. Pega um táxi. Volta para a rodoviária. Escolhe outra plataforma.
Agora você tenta outra coisa. Fotografia de rua. Ou vídeos estéticos de viagem. Ou reflexões sobre estoicismo. Três anos nisso. E alguém comenta: já viu o Vitor Fontana? Ou o Gustavo Glasser? Já viu o Caio Carneiro, o Joel, a Natalia Arcuri?
Comparação. Insegurança. Dúvida.
E você repete o ritual. Desce do ônibus. Volta para a origem. Recomeça de novo. Vive sendo comparado. Vive reiniciando. Vive fugindo.
Até Minkkinen fazer a pergunta que separa amadores de criadores reais:
O que fazer?
A resposta é simples. Fique no ônibus.
Se você permanece, algo inevitável acontece. Os primeiros quilômetros são iguais para todos. Mas logo cada ônibus segue para um destino totalmente diferente.
É essa separação que constrói uma carreira.
Com o tempo, seu trabalho se afasta das suas referências brasileiras. A sua voz aparece. Seu estilo nasce. As pessoas começam a notar o que só você faz. A diferença cresce. A assinatura fica clara.
E então o jogo vira.
Seu trabalho passa a valer mais. Seu nome passa a carregar peso. As pessoas estudam não só o que te diferencia do fulano ou do ciclano, mas também seus primeiros vídeos, posts, fotos e reflexões — porque agora eles entendem que tudo fazia parte de uma trajetória única.
Chega o fim da linha. O motorista desce, toma um café. Sua carreira está inteira ali. O começo tímido, as primeiras cópias, os tropeços, os acertos, os saltos, as obras-primas finais.
Tudo marcado por um elemento que ninguém consegue copiar.
A sua visão.
E por que isso existe?
Porque você ficou no ônibus.
O diferencial não está em escolher “o ônibus perfeito”.
Está em não descer dele.

NÃO É TRABALHO. É RETRABALHO.
A maioria das pessoas dedica 10.000 horas à preparação.
Quase ninguém dedica 10.000 horas à revisão.
Estudantes medianos aprendem ideias uma vez.
Os melhores reaprendem.
Escritores medianos escrevem uma vez.
Os melhores reescrevem capítulos dezenas de vezes.
Atletas medianos repetem.
Os melhores filmam treinos, corrigem postura, ajustam cada micro detalhe.
Criadores medianos pulam de projeto.
Os melhores permanecem no mesmo —
eliminando o que não presta, reforçando o que funciona,
refinando até algo único nascer.
A genialidade não nasce da quantidade.
Nasce da revisão contínua da mesma visão.
ESCOLHER É A MAIOR CORAGEM
A pergunta não é:
“Qual ônibus é o melhor?”
A pergunta é:
“Em qual ônibus você vai permanecer pelos próximos 5, 10, 20 anos?”
Qual história você quer contar?
Qual visão você quer perseguir?
Qual habilidade você vai dominar?
Você não vai saber a resposta perfeita.
Ninguém sabe.
Mas você precisa escolher um caminho.
Porque escolher tudo
é escolher nada.
OS HOMENS QUE VIRARAM SUAS PRÓPRIAS VISÕES
Os meus favoritos são prova disso:
Steve Jobs repetiu por décadas que tecnologia deveria ser arte.
Ninguém acreditou.
Continuou.
Criou o iPhone.
Elon Musk falou por 20 anos que precisamos ser multiplanetários.
Chamaram de louco.
Continuou.
Hoje a SpaceX domina o céu.
Leonardo da Vinci perseguiu a mesma tese por toda a vida: unir arte e ciência.
Continuou.
Virou eterno.
Kobe Bryant viveu 20 anos com uma filosofia: melhorar 1% por dia.
Continuou.
Virou lenda.
Naval Ravikant repete há décadas que liberdade surge de alavancagem, autenticidade e responsabilidade.
Continuou.
Virou movimento.
Esses homens tinham algo em comum:
não mudavam de visão a cada semana.
Eles repetiam a mesma ideia até ela se tornar inevitável.
A TENTAÇÃO QUE VAI TE DESVIAR DO CAMINHO
No meio da jornada, vai surgir de tudo:
novas oportunidades,
novas paixões,
novos convites,
novos atalhos,
novas distrações,
novas obrigações sociais.
Mas quando você aprende a dizer não,
o caminho clareia.
E quando o caminho clareia,
você acelera.
O FINAL É SIMPLES
Escolha um ônibus.
Entre nele.
Fique nele.
Corte excessos.
Abrace o silêncio.
Desconfie da confusão.
Retorne ao essencial.
E siga refinando sua visão até ela se tornar impossível de ignorar.
O mundo recompensa quem permanece.
A vida floresce quando você para de fugir.
E seu destino aparece quando você decide ficar no maldito ônibus.
Dia 6 de dezembro eu vou abrir o Creator Mode.
O processo de transformar o que você ama
em trabalho, renda e liberdade.