Ganhar seguidores não significa quase nada :/

Enquanto escrevo, estou de frente para a rua principal de Roma. O Coliseu está a 800 metros de mim. Estou empolgado. Criativo. Pleno. E a viagem mal começou.
Um ano atrás, meu conteúdo era uma porcaria. Eu era comum. Não foi porque fui estudar numa boa faculdade nos Estados Unidos ou porque algumas pessoas achavam que eu era bonito. O que mudou tudo foi a inovação. O conhecimento. Trouxe algo diferente num mar de mediocridade.
Mas bastou um vídeo viralizar: 730 dias sem pornografia. Foi aí que comecei a me inspirar de verdade e a ganhar relevância.
O que isso exigiu? Experiência, habilidades, criatividade e constância.
Experiência: Fiquei muito tempo sem ver pornô. Vivi momentos que me ensinaram o que essa fase significava.
Habilidades: Aprendi a escrever roteiros que prendem no YouTube. Usei persuasão, clareza e uma boa dose de inteligência.
Criatividade: Ampliei meu repertório. Consumi de tudo. Diferentes temas, diferentes ideias. Isso me ajudou a criar conexões únicas.
Constância: Continuei criando. Tinha um grande objetivo nos bastidores. Uma força que me deu ordem no meio do caos.
Agora que os tempos difíceis passaram e construí uma base sólida de Criadores que me seguem, compartilho com vocês uma análise para aplicar nos seus negócios digitais.
1- Só porque você reservou um tempo para criar, não significa que alguém lhe deva atenção.
Escrevo na internet há um ano. Nesse tempo, fiz de tudo: roteiros, eBooks, posts, copys, cartas, projetos. Passei um bom tempo como ghostwriter também. Este ano, construí um negócio de 7 dígitos combinando conhecimento, criatividade e aplicando tudo isso na escrita. Sou o fundador da maior comunidade de Criadores do Brasil, a Create.
Nem preciso dizer que interajo com muitos escritores do Medium e do Substack. Eu os ajudo, ensino e oriento. Sou bem ativo nas comunidades de escritores por aqui e em algumas outras. É um mundo pequeno, acredite. E nós, os “melhores escritores”, acabamos todos nos conhecendo.
O que mais percebo, acima de tudo, é um tema comum entre escritores aspirantes e até entre os já estabelecidos.
É uma pergunta. É uma ansiedade. É uma coceira que não passa. Um problema pelo qual muitos escritores estão dispostos a gastar dinheiro para resolver de imediato.
O problema é mais ou menos assim:
“Eu escrevi algo. Por que o mundo não está aplaudindo? Por que não estou ganhando dinheiro?”
2-Esqueça tudo que aprendeu na escola sobre escrita…
Esqueça tudo o que aprendeu sobre redação na escola. Escrever não é um jogo de palavras. Sim, é importante conhecer gramática e pontuação — isso é o mínimo. Mas encher textos de palavras só para preencher linhas ou parecer formal é cansativo e chato.
As pessoas querem clareza. Elas não querem algo complicado de entender.
Lembro que, na escola, eu escrevia redações com histórias que faziam todo sentido… na minha cabeça. Até que a professora e os outros liam e eles não entendiam nada.
Seus textos podem estar do mesmo jeito: você acha que eles são ótimos, mas ninguém entende nada. Mostre mais para as pessoas que conhece pessoalmente sobre o que você está criando. Pergunte mais opiniões sem medo.
3-Escrever é um jogo de pensamento.
Como eu sei disso?
Porque 50 Tons de Cinza vendeu mais de 150 milhões de cópias no mundo todo, mesmo sendo cheio de palavras medíocres. Porque a série Crepúsculo vendeu mais de 100 milhões de cópias, e sua escrita é, sem dúvida, ainda mais medíocre que a de Grey. 4-Hour Work Week, do Tim Ferriss, parece um apanhado de conselhos de vida que você encontra no YouTube, narrado por um cara de uma empresa de suplementos (que ele era), e vendeu mais de 2 milhões de cópias.
E A Sutil Arte de Ligar o Fda-se*, um dos livros de não-ficção mais vendidos da história moderna (mais de 8 milhões de cópias), segue a mesma fórmula de todos os livros de Ryan Holiday, só que com a palavra “f*da-se” a cada dois parágrafos:
resuma a vida de uma pessoa famosa, tire uma lição e diga ao leitor como aplicar isso à vida dele. Ensino isso com mais detalhes nessa newsletter.
Esses livros mudaram o mundo de alguma forma. Fizeram milhões, dezenas de milhões, até centenas de milhões de dólares. Mas nenhum deles estará na mesma prateleira que Hemingway, Nabokov, Dostoiévski ou Woolf.
Isso não quer dizer que precisamos ser medíocres. No Brasil, vemos a superficialidade e a mediocridade reinarem: funkeiros divulgando cassinos, influencers iludindo pessoas com suas vidas falsas e vazias, gente acreditando que um político vai salvar sua vida.
Mesmo assim, você precisa trazer clareza com seu conteúdo, entendendo os problemas do mundo real. É preciso ter consciência desse ambiente tóxico e ver o que pode ser melhorado na vida das pessoas: da sua casa, seu bairro, sua cidade, seu estado, seu país, o mundo. Ser ambicioso e visionário significa encarar essa imbecilidade de frente.
Você deve ter raiva disso. Não pode se conformar. Resolva os problemas da sua vida primeiro. Depois, ofereça e venda a melhor solução para quem precisa.
4-Se você quer ganhar dinheiro como escritor, você não está no ramo da escrita.
Você está no jogo das ideias.
E o quanto você ganha com suas palavras está diretamente ligado à sua capacidade de influenciar o pensamento do leitor.
Se sua escrita só repete o que o leitor já sabe, adivinhe? Ele não vai pagar para ouvir mais do mesmo. Eu insisto sem parar na importância de estudar áreas diversas. Você pode ser médico, mas o que acontece se começar a estudar sobre jejum intermitente? Sobre longevidade? Buscar novas fontes de conhecimento. Por quê? Porque é assim que surgem a criatividade e a inovação.
Agora, se sua escrita traz ideias radicalmente novas, transforma pensamentos existentes e os leva a conclusões poderosas (fazendo o leitor tomar decisões diferentes na vida), então você está no jogo.
E as palavras que você usa para chegar lá? Essas são quase irrelevantes. Você pode ter erros de ortografia por toda parte. Sua escrita pode ser tão gramaticalmente incorreta que fica quase ilegível. Mas se a ideia for valiosa o bastante, se o leitor entender como seus pensamentos vão mudar, ele vai se esforçar para passar por cima dos erros. Vai suportar isso porque, no fim das contas, o que ele vai obter é o que realmente importa. Ele não está lá pelas suas palavras.
Ele quer suas ideias.
Eu até coloco erros de propósito em alguns conteúdos para gerar engajamento (e funciona).
5-O Futuro da Escrita Digital
A maioria das pessoas não entende o que está acontecendo nas redes sociais, então deixe-me resumir:
Abra qualquer aplicativo social no seu celular.
Facebook.
Instagram.
Twitter.
TikTok.
E por aí vai.
As redes sociais de hoje não funcionam da mesma forma que há 10 anos.
Antes, quando você seguia alguém, estava escolhendo que tipo de conteúdo queria ver no seu feed. Se quisesse conselhos sobre investimentos, você seguia escritores de finanças, criadores de vídeos sobre o tema, etc. Se quisesse histórias de ficção, seguia escritores de ficção.
Mas você já percebeu que hoje seu feed está cheio de gente que você nunca ouviu falar?
Percebeu que está vendo conteúdo de pessoas que você nem segue?
6- Os algoritmos sociais do futuro não são baseados em seguidores.
Tudo agora é baseado em métricas de engajamento.
Quando você assiste a um vídeo do David Goggins correndo, a plataforma deduz que você tem interesse em corrida. E se assistir a muitos vídeos do Goggins, ela decide que você está muito interessado em desenvolvimento pessoal e motivação — e te mostra mais desse tipo de conteúdo.
O resultado? Nossos feeds estão cheios de conteúdo que a plataforma acha que queremos ver, em vez do que escolhemos. Eu sigo várias pessoas no Instagram cujo conteúdo não aparece no meu feed há anos. Na verdade, quase não uso o feed normal. Quando estou no Instagram ou TikTok, acabo no feed Discover — porque a plataforma parece saber o que eu quero ver melhor do que eu.
Aqui no Substack, já é assim também.
Tenho 4000 seguidores aqui.
Menos de 10% deles sequer vê o novo conteúdo que publico.
Isso prova que seguidores são uma métrica quebrada e, no fim, não importam.
Em vez de perseguir seguidores, seu foco deve ser construir uma biblioteca de conteúdo.
Aqui estão as boas notícias: você não precisa de seguidores.
Não importa se eu tivesse 800 ou 80.000 seguidores no Substack, ainda usaria a plataforma da mesma forma.
Eu uso o Substack como parte do meu ecossistema de 3 pontos. Escrevo coisas que acredito que os leitores vão achar valiosas (geralmente centradas em conselhos sobre escrita digital, criatividade, psicologia e empreendedorismo) e publico esse conteúdo em vários lugares:
TikTok
Instagram
YouTube
Twitter
Copys de vendas
E assim por diante.
É meu conteúdo, o que significa que posso fazer o que quiser com ele. E todas essas plataformas sociais só querem mais conteúdo, então elas estão bem com isso.
Como resultado, em alguns meses, o Quora distribui melhor que o Medium. Em outros, o Medium faz algum ajuste e minhas visualizações disparam. E o ciclo continua, com cada plataforma se ajustando, tentando descobrir como dar aos leitores e usuários mais do que eles acham que querem.
O que significa que, como escritor, não posso confiar no Substack.
Nem deveria.
Em vez disso, devo me concentrar em construir uma biblioteca de conteúdo que eu possa levar para qualquer lugar na internet. E se uma nova plataforma de publicação surgir nos próximos anos, pegarei toda a minha biblioteca de conteúdo e a copiarei para lá também.
É assim que você permanece relevante a longo prazo.
Agora que você entendeu isso, temos coisas profundas a aprender.