Uma história baseada em fatos reais.

Aos 14 anos, Mike queria apenas se encaixar.
Mike tinha vindo do interior, vestia um boné vermelho, uma calça rasgada apertada e uma camiseta polo preta.
Seus amigos da escola gostavam de jogar futebol, beber cerveja e se reunir nos fins de semana para jogar cartas.
Mike não gostava muito disso. Era um rapaz curioso, ambicioso e sonhava em criar arte para o mundo. Áreas como cinema, escrita, artes e design o apaixonavam.
A escola de Mike era rodeada de playboys filhinhos de papai, frágeis e fumadores de Marlboro. Eles se reuniam no banheiro para fazer bullying com os fracos, davam risada das roupas de Mike, de como ele se vestia e da forma “grosseira” que falava.
O início da queda
Aos 15 anos, Mike voltou para casa e disse que estava se sentindo triste por não conseguir se sair bem com seus colegas de escola. Sua mãe nem ligou, e seu pai deu risada, chamando-o de viadinho.
Nos churrascos de família, os assuntos eram sempre os mesmos: fofocas dos vizinhos, beber cerveja e escutar sertanejo. Mike preferia ficar no seu quarto escutando música, pintando e vendo filmes. Seus tios o chamavam de fraco por não querer beber cerveja e gostar de pintar quadros.
A ansiedade de Mike começou a se manifestar nos doces que comia e na sua forma de falar. Interagir com seus colegas era tão difícil que ele gaguejava.
O pai de Mike, frustrado por não ter conseguido uma carreira no futebol, tirava o sangue do garoto toda semana para ele se tornar jogador.
Aos 19 anos, depois de repetir de ano duas vezes e desenvolver um transtorno de ansiedade, Mike via seus colegas decididos sobre quais faculdades fariam. Quando a professora perguntava o que ele faria, ele sempre respondia: “Jogador de futebol.”
Magro e inseguro para conversar com mulheres, Mike se afundava em pornografia diariamente para aliviar seu sofrimento. Após terminar o ensino médio, seu pai finalmente entendeu que Mike não queria mais sofrer com o futebol. Os dois brigaram e se afastaram.
VIDA ADULTA
Perdido, Mike arrumou um emprego como carregador de encomendas. Afinal, se não buscasse um trabalho, morreria de fome.
O salário de R$ 1.700 parecia suficiente no início. Ele fez amizades no trabalho e se sentia mais confortável. Aos fins de semana, saía com os amigos para boates e churrascos para esquecer todos os problemas.
70% do seu salário ia para entretenimento. Ele bancava combos de vodka na balada para manter amizades e atrair atenção das mulheres. Se sentia poderoso cheirando cocaína e dançando nas festas.
Mas a segunda-feira sempre chegava. Ele acordava atrasado, aguentava seu chefe chato, voltava para casa e descontava seus problemas em vícios.
Ele dizia para si mesmo: “Trabalhei o dia todo, mereço uma pizza.”
O despertar tardio
Aos 40 anos, o médico avisou: pressão arterial alta, níveis elevados de açúcar no sangue. “Se você não parar de comer bobagem e fumar, vai infartar.”
Ansioso e com medo, Mike começou a caminhar todas as tardes. Mas sua vida não mudou. Ele passou por alguns relacionamentos, mas nenhum durou. Sua insegurança e desconfiança o tornaram uma pessoa fria e tóxica.
Num inverno chuvoso, no quintal de casa, acendeu um cigarro, olhou para o céu e murmurou: “A vida é realmente isso?”
Mike não pensou duas vezes. Pegou uma arma e deu um tiro no meio de sua testa.
Essa história é baseada em fatos reais.
Meu pai me contou quando eu tinha 17 anos. Eu estava bêbado, virado, morando na casa da minha mãe. Ele entrou no meu quarto, acendeu a luz e disse: “Que vida é essa que está levando, piá? Vou te contar a história de um amigo meu de infância.”
Sim… o Mike realmente tinha ido embora.
Eu chorei no colo do meu pai. Senti que estava indo pelo mesmo caminho de Mike.
Por mais que tivesse pais bons, o ambiente da família da minha mãe me fazia um vagabundo rancoroso. Com raiva dos ricos. Sedentário. Que iria levar uma vida comum dando desculpas para tudo que acontecia.
Depois desse dia, meu pai me chamou para trabalhar na empresa dele, a Seiva Pura. Me tratou como qualquer funcionário, me pagava o mesmo salário. “Agora, você está em minhas mãos. Vai descobrir de onde vem o dinheiro.”
CRIANDO CASCA
Sem férias. Sem moleza.
Todas as manhãs, às 7h, eu abria a empresa e entrava para bater meu ponto.
Comecei a correr com ele à noite, estudar investimentos, empreendedorismo, filosofia e psicologia. Mesmo assim, a vontade de voltar para aquela vidinha era grande. Eu tinha vício em videogames, fumar pendrive e ficar no celular o dia todo.
Meu pai amava investimentos, então me dava livros de Warren Buffett, Charlie Munger, etc. Criar uma rotina onde eu escrevia de manhã meus sentimentos, o que eu queria, o que eu tinha passado começou a se tornar uma base para criar clareza da vida. Cada final de mês, eu comprava uma porcentagem em ações no mercado financeiro.
Durante meus estudos, conheci Eslen Delanogare e estudei seus cursos sobre hábitos e comportamento. Tudo eu mantinha em silêncio com um grande plano: começar a criar conteúdo. Estudei os melhores escritores americanos, assistia palestras de Jordan Peterson, etc.
Ao construir uma base, decidi estudar psicologia nos EUA. Então eu continuava juntando grana, estudando e planejando. Meu pai não ia pagar a faculdade para mim, então tive que conseguir bolsas de 100% através das notas ou como jogador do time. Depois de meses de estudos e juntar dinheiro, eu passei na prova que tanto almejava e consegui aplicar para uma faculdade.

Como eu vivia naquela bolha e sabia que iria vazar em breve, isso me deu mais gás para criar mais e estudar mais – me tornar imparável. Eu sabia que ia deixar namorada no Brasil, pais e amigos. Mas nada mais podia me parar. Eu estava vivendo meu auge de conhecimento, força e aparência.
Chegando nos EUA, fundei minha empresa, construí uma audiência, tornei-me referência na escrita digital e mudei minha vida.
Toda essa merda anterior que aconteceu foi necessária. Foi o medo que me moveu. Se eu não colocasse a cara, esse medo iria tomar o meu corpo de ansiedade. Igual ao Mike, eu tinha um sonho de me tornar um artista. Se eu continuasse na onda do ambiente, eu faria o que eles queriam para mim, e não o que eu queria.
Igual ao Mike, somos condicionados a levar a vida da forma que nos ensinaram.
A maioria das pessoas cai nesse ciclo entorpecedor até a bomba explodir. Como naquela frase: “Adoecemos com a indústria alimentícia e somos escravizados pela indústria farmacêutica.”
Ter medo de levar uma vida média sem descobrir meu máximo potencial fazia parte de mim.
Me afastar de amizades tóxicas, falar mais nãos, ter um objetivo grande pelo qual eu comecei a lutar.
Tudo isso é um processo doloroso no começo, mas vale a pena.

O AMBIENTE
Muitos de vocês não terão um pai como o meu, não terão referências a seguir, não terão condições financeiras favoráveis.
Mas podem criar seu próprio ambiente online. Escrever pela manhã. Estudar por uma hora. Criar um projeto. Treinar, com vontade ou não.
Agora, estou escrevendo isso em Florianópolis. Cheguei hoje para morar. Para expandir minhas criações, minhas amizades, meu mundo.
Assim como eu, Eslen e muitos outros não nasceram em situações favoráveis. Mas precisamos fazer barulho. Precisamos atrair a sorte.
Se não fizer isso, nada mudará.