Por isso você decide as coisas erradas
Você já parou para pensar por que escolheu o celular ou computador que está usando em vez de outro? Como alguém usa estratégias para te vender um produto? Por que escolhemos o que escolhemos?
Eu gosto muito de falar sobre Economia Comportamental. Esse foi um dos campos que me inspirou a iniciar a psicologia. Tudo começou quando conheci Daniel Kahneman e Amos Tversky – dois psicólogos israelenses que formaram uma amizade notável durante seus trabalhos na Universidade Hebraica de Jerusalém.
Depois de terminar o livro sobre a história desses psicólogos, aprendi muito sobre comportamento humano e por que fazemos tantas escolhas irracionais.
Cada vez mais, comecei a estudar os chamados “vieses cognitivos”. Antes de entrarmos nesse assunto, vou te contar uma breve história desses dois pioneiros.
Numa cidade chamada Tel Aviv, Israel, nasceu um cara chamado Daniel Kahneman.
Kahneman viveu a maior parte da sua infância em Paris, pois sua família morava lá. Na infância, Kahneman tinha um amigo que sempre dizia: “Os nossos colegas acham que você quer um certo distanciamento deles.” Kahneman não estava interessado em grupinhos. Ele era muito seletivo ao decidir seu próprio ambiente.
Na fase adulta, Kahneman decidiu estudar psicologia. Foi aí que voltou para Israel e obteve seu bacharelado em Psicologia na Universidade Hebraica de Jerusalém.
Após sua graduação, ele serviu nas forças de defesa israelenses, e foi durante esse período que começou a analisar o comportamento humano.
No departamento de psicologia do exército, desenvolveu um método para identificar quais soldados se sairiam melhor em certas funções, baseando-se em seus comportamentos e atuações.
Ali já estavam as bases de seus estudos futuros, procurando descobrir os enganos nos quais os avaliadores do exercito poderiam cair.
Nesse caminho, trabalhando no exército, ele conheceu Amos Tversky. Tversky era um líder no campo de batalha, conhecido por salvar um colega momentos antes de uma bomba ser detonada.
Enquanto atuava pelo exército, Tversky também trabalhava na Universidade Hebraica de Jerusalém. Foi lá, na primavera de 1969, que Kahneman e Tversky iniciaram uma parceria que mudaria suas vidas.
Os dois eram colegas de universidade, e Kahneman convidou Tversky para apresentar uma pesquisa em sua aula.
As pessoas da universidade comentavam que nunca entendiam como os dois se davam tão bem, pois passavam a maior parte do tempo conversando e criando ideias que quase ninguém estava preparado.
Kahneman era inseguro, pessimista, frequentemente afetado pela opinião dos alunos, e sua sala de trabalho era uma bagunça.
Kahneman sempre dizia aos seus alunos: “Quando alguém te diz algo, não se pergunte se é verdade ou não. Pergunte se aquilo pode ser verdadeiro. Questione sempre, para tirar algo bom daquilo.”
Uma de suas grandes motivações em estudar comportamento humano nessa época foi o cientista comportamental Skinner, que acreditava que todo comportamento animal era motivado não pelos pensamentos e sentimentos, mas pelas recompensas e punições externas.
Tversky era otimista, acostumado a ser o mais inteligente da sala, e sua mesa de trabalho era minimalista e organizada.
Os dois professores passaram mais de uma década pesquisando e escrevendo artigos sobre experimentos e refletindo sobre por que os seres humanos fazem escolhas.
Entre 1971 e 1979, publicaram trabalhos que lhes garantiram o Prêmio Nobel de Economia em 2002. Infelizmente, Kahneman recebeu o prêmio sozinho, pois Tversky havia falecido.
O Nobel abordou dois temas distintos: julgamento e tomada de decisão. O julgamento envolve estimar magnitudes e probabilidades. A área de criação deles, Economia Comportamental, é um subcampo da economia que tenta entender como as pessoas tomam decisões, seja em finanças, empreendedorismo, apostas, etc.
Isso é tratado em um de seus primeiros artigos científicos chamado “Judgment under Uncertainty: Heuristics and Biases”.
Kahneman e Tversky mostraram que, em ambos os domínios, os seres humanos dificilmente se comportam como estatísticos treinados ou intuitivos.
Pelo contrário, seus julgamentos e decisões se desviam baseados em crenças e experiências anteriores.
Kahneman escrevia sobre os chamados “vieses cognitivos”.
O assunto está ficando interessante, não é? No nosso vídeo de domingo, irei explicar os vieses cognitivos de forma simples e falar sobre as duas formas de pensar que todos nós temos.
Vejo vocês domingo, Criadores! Ótimo fim de semana!