Eles não me conhecem, filho.

Segunda-feira cedo, e aqui estou escrevendo enquanto meu melhor amigo, Andrio, se prepara pra correr a segunda ultramaratona — mais de 56 km. O cara é CLT, com pouca grana, mas não falta coragem. Ele vive se desafiando. A gente se conheceu numa pista de corrida quando voltei dos EUA. Ele curtia meus posts sobre David Goggins, começamos a conversar, e, antes que percebêssemos, já estávamos correndo juntos.
De janeiro a novembro, compartilhamos tudo: meias maratonas no escuro indo de uma cidade para a outra, viagens, novas amizades, desafios. Em março, veio o baque: o término de um relacionamento de cinco anos. Ele estava sem expectativa de vida, sem família pra apoiar, mas acabou encontrando em mim um irmão.
Nos primeiros dias, ele ficou sem ter onde morar. Passou uma semana aqui em casa, dormindo no sofá, enquanto juntava o suficiente pra alugar um lugar. De manhã, antes do sol nascer, ele me acordava pra correr. A gente voltava, ele ia encarar um turno de 10 horas no trabalho, e eu me jogava nos meus projetos online. Nesse período, tudo o que ele tinha eram três coisas: o livro do Goggins, uma Bíblia e alguém pra ouvir seus desabafos.
A vida dele tava um caos. Surgiram problemas de saúde, a grana era apertada, mas ele nunca parou. Sempre me dizia: “Bagetti, se você tá passando pelo inferno, continue. Por que você pararia no inferno?”
Eu ajudava como podia, dando um pouco de clareza, ajudando com o básico. E assim foi: um segurando o outro. Ele me inspirava com sua força mental absurda, e eu tentava ser uma âncora. Em setembro, Andrio correu 54 km, de uma cidade pra outra, às 2h30 da manhã. No escuro, encontrou cobras, raposas e sabe-se lá mais o quê. Todo mundo dizia que ele era louco. Ele respondia: “Eu só quero descobrir do que minha mente é capaz.”
Esse ano me ensinou muita coisa, mas a principal foi aprender a amar a dor e o medo. Desde cedo, a gente ouve que tem que ser forte, que o medo é fraqueza. Mas o medo não é inimigo. Ele nos protege, nos desafia, nos lembra que estamos vivos.
A dor molda, o medo guia. Abracei isso, e Andrio me mostrou o que significa viver nesse limite. No fim, o que importa não é o destino, mas continuar correndo — mesmo que seja contra o impossível.
O medo como um guia de sobrevivência integrado
Quando você encara algo incerto ou ameaçador, seu cérebro entra no modo “sobrevivência total”. A amígdala acende como um alarme, jogando seu corpo no clássico “lutar ou fugir”. Além disso, alguns mensageiros químicos mais lentos — os neuropeptídeos — entram em ação, ajustando sua resposta ao medo e te mantendo alerta para os riscos.
Parece ruim, né? Coração disparado, mãos suadas, músculos tensos. Mas isso tudo é o corpo te dizendo: “Fica ligado, é hora de agir.” Esse sistema não é só pra te proteger de um ataque de leão; ele também pode ser útil em situações mais “modernas”, tipo tomar uma decisão difícil no trabalho ou encarar uma grande mudança na vida.
O estresse, quando aparece e vai embora rápido, é essencial. Seu corpo reage: o coração bombeia mais rápido, as pupilas se dilatam pra você enxergar melhor, a respiração acelera pra mandar mais oxigênio pros músculos, e hormônios como adrenalina e cortisol entram no jogo, te dando energia imediata. É como seu motor interno indo pra potência máxima.
É um mecanismo natural que te protege. Ele te ajuda a evitar erros tolos, te deixa mais atento e pode até te motivar a agir. O problema é quando tentamos sufocá-lo. Isso só transforma o medo em um monstro: você paralisa, pensa demais, se comunica mal, perde oportunidades porque ficou com receio de arriscar.
Mas e se, ao invés disso, a gente fizesse amizade com o medo? E se encarássemos ele como um sinal, uma ferramenta pra aprender, explorar e criar? O medo pode ser o lembrete de que estamos vivos, navegando no desconhecido. Não é pra ignorar ou fugir dele, mas pra ouvir o que ele tem a dizer. Ele não é inimigo — é um professor.
Usando a estrutura FEAR
Não é fácil, eu sei. A gente foi praticamente programado pra obedecer ao medo sem questionar, como se ele fosse um chefe gritando ordens. E ninguém nunca nos ensinou a lidar com ele de forma construtiva — muito menos a ter uma conversa amigável com esse sentimento.
Mas aqui vai a boa notícia: dá pra mudar isso. Existe uma maneira de acolher o medo, entender o que ele tem a dizer e até usar isso a seu favor. É simples, nada de mirabolante. Eu chamo de Estrutura do MEDO.

- Sinta o medo. Quando ele aparece, seu corpo reage na hora: coração disparado, respiração rápida, suor na pele. Em vez de lutar contra isso, preste atenção. Esses sinais são seu corpo dizendo: “Estou me preparando.” Aceite o momento. Um pouco de respiração profunda ou alongamento pode ajudar a sentir o medo sem deixar que ele vire ansiedade.
- Entenda a origem. Depois de reconhecer o medo, pergunte a si mesmo: de onde ele vem? Talvez seja um prazo apertado, uma conta alta, ou o risco de algo dar errado. Ferramentas como mapas mentais podem ajudar a organizar essas ideias e a colocar o cérebro no modo “resolver problema”, deixando o pânico de lado.
- Fale sobre ele. Esse é o passo mais desafiador. Abrir o jogo sobre seus medos requer coragem, mas é libertador. Compartilhe suas preocupações com pessoas de confiança. Talvez você precise de apoio em um projeto, conselhos ou apenas um ouvido amigo. Falar sobre o medo não é fraqueza — é liderança. Muitas vezes, só de externalizar, as soluções começam a surgir.
- Aprenda com a experiência. Quando tudo passar, reflita. O que funcionou? Como compartilhar ou aceitar o medo mudou o resultado? O que você faria diferente na próxima vez? Escrever sobre isso ou conversar com alguém ajuda a processar e te prepara melhor para os desafios futuros.
Trabalhar com o medo e a dor, em vez de fugir deles, muda tudo. Aceite-os, explore suas causas, peça ajuda quando necessário e tire lições de cada experiência. Assim, eles deixam de ser um bloqueio e se torna uma ferramenta de crescimento.
Isso te fortalece, tanto mentalmente quanto fisicamente. Não lute contra os sentimentos. Observe-os, aprenda com eles. Seja o espectador do jogo, aquele que entende as regras enquanto todo mundo só reage.
Quando você se torna o observador, algo muda. Você atinge um novo nível de consciência.
E sabe como melhorar isso? Se expondo. Um passo de cada vez. Fale em público. Viaje sozinho. Conheça alguém novo. Comece a criar, mesmo sem saber onde vai dar. Encare o que te assusta, por menor que seja.
Lembre-se: o conforto constante te enfraquece. Corpo e mente ficam moles quando tudo é fácil demais.
A confiança? Ela não cai do céu. Ela nasce quando você se desafia, dia após dia, a fazer algo que parece impossível. Suas mãos vão suar. Seu coração vai acelerar. A pupila vai dilatar. E daí? Não fuja dessa merda.
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